Kriya Yoga

A Ciência da Kriya Yoga

 

A Self-Realization Fellowship convida todos os buscadores da verdade a estudar os seus ensinamentos e técnicas básicas de meditação. Ao término de um ano de estudo e prática regular das técnicas, os estudantes que preencherem os requisitos necessários poderão receber iniciação em Kriya Yoga, a antiga ciência universal de comunhão com Deus. A Kriya Yoga foi ensinada na índia por Bhagavan Krishna, cerca de 3.100 anos antes da era cristã. Paramahansa Yogananda descreveu os princípios da antiga ciência da Kriya Yoga em seu livro “Autobiografia de um Ioque”.

Kriya Yoga é um método simples, psicofisiológico, pelo qual o sangue humano se descarboniza e é recarregado com oxigênio. Os átomos desse oxigênio extra são transmutados em corrente vital, para rejuvenescer o cérebro e os centros da coluna vertebral. Sustando a acumulação do sangue venoso, o iogue pode diminuir ou evitar a degeneração dos tecidos. O iogue adiantado transmuta suas células em energia. Elias, Jesus, Kabir e outros profetas foram, no passado, mestres no uso da Kriya ou de técnica semelhante, pela qual materializavam ou desmaterializavam seus corpos à vontade.

A Kriya é uma ciência antiga. Lahiri Mahasaya recebeu-a de seu grande guru, Babaji, quem redescobriu e esclareceu a técnica depois das Idades das Trevas, época em que esteve perdida. Babaji batizou-a de novo, simplesmente de Kriya Yoga.

– A Kriya Yoga que estou transmitindo ao mundo por seu intermédio neste século XIX – dissera Babaji a Lahiri Mahasaya – é a revivificação da mesma ciência que Krishna deu há milênios a Arjuna; e que foi mais tarde conhecida por Patânjali e Cristo, e por São João, São Paulo e outros discípulos.

O iogue possui plena consciência de seu estado físico de animação suspensa. Todavia, à medida que progride para estados espirituais mais elevados, comunga com Deus sem a imobilidade física; e o faz em sua consciência normal de vigília, até em meio aos exigentes deveres mundanos.

Os antigos iogues descobriram que o segredo da consciência cósmica está intimamente ligado ao domínio da respiração. A força vital, que normalmente está ocupada mantendo a pulsação cardíaca, precisa ser liberada para atividades superiores por meio de um método que acalme e detenha as demandas incessantes da respiração.

O Kriya Yogi, dirige mentalmente sua energia vital para cima e para baixo, em torno dos seis centros espinhais (bulbo raquidiano e plexos cervical, dorsal, lombar, sacro e coccígeno), correspondentes aos doze signos astrais do Zodíaco, o Homem Cósmico simbólico. Meio minuto de revolução da energia ao redor da sensível medula espinhal efetua progressos sutis na evolução do homem, esse meio minuto de Kriya equivale a um ano de desenvolvimento espiritual natural.

Sem dúvida, o atalho da Kriya só pode ser trilhado por iogues profundamente desenvolvidos. Com a orientação de um guru, tais iogues preparam cuidadosamente seu corpo e cérebro para suportarem a força gerada pela prática intensiva.

O corpo de um homem comum é uma lâmpada de cinqüenta watts, que não pode suportar o bilhão de watts de energia gerados pela prática excessiva de Kriya. Por meio do aumento regular e gradual dos exercícios simples e perfeitamente seguros de Kriya, o corpo humano transforma-se astralmente, dia a dia e, por fim, está preparado para expressar o infinito potencial de energia cósmica que constitui a primeira expressão materialmente ativa do Espírito. A prática da Kriya é acompanhada, desde o início, por sentimentos de paz e sensações suavizantes, de efeito regenerador na coluna.

Esta antiga técnica iogue converte a respiração em substância mental. O adiantamento espiritual permite ao devoto conhecer a respiração como um conceito mental, um ato da mente: uma respiração sonho.

O Kriya Yogi usa a técnica para saturar e nutrir todas as células físicas com luz imperecível e, desse modo, conservá-las espiritualmente magnetizadas.

A prática da Kriya inverte o fluxo; a força vital é mentalmente guiada para o cosmos interior e se reúne às energias sutis da coluna. Por meio de tal reforço da força vital, o corpo e os neurônios do iogue são renovados por um elixir espiritual.

Desamarrando a corda da respiração que liga a alma ao corpo, a Kriya serve para prolongar a vida e expandir a consciência  ao infinito. A técnica vence o cabo-de-guerra entre a mente e os sentidos enredados na matéria, libertando o devoto para que herde outra vez seu reino eterno. Ele sabe, então, que seu ser real não está limitado, nem pelo invólucro físico nem pela respiração – símbolo da escravidão mortal do homem ao ar, às compulsões elementares da natureza.

Mestre de seu corpo e de sua mente, o Kriya Yogi finalmente vence o “último inimigo”, a Morte.

A Kriya, controlando a mente diretamente por meio da força vital, é a via de acesso mais fácil, mais eficaz e mais científica para o infinito.

A ciência iogue fundamenta-se no exame empírico de todos os tipos de técnicas de concentração e meditação. A ioga capacita o devoto a ligar e desligar, conforme queira, a corrente vital que vai para os cinco telefones sensoriais: visão, audição, olfato, paladar e tato. Alcançando este poder de desligar os sentidos, é simples para o iogue unir a mente aos domínios divinos ou ao mundo da matéria, à vontade.

A vida de um Kriya Yogi adiantado é influenciada não pelos efeitos das ações passadas, mas apenas pelas diretrizes da alma.

O método superior de viver pela alma liberta o iogue; emergindo da prisão do ego, ele respira o ar profundo da onipresença.

As escrituras do mundo declaram que o homem não é um corpo corruptível, mas uma alma vivente; na Kriya Yoga ele encontra o método para comprovar esta afirmação.

O verdadeiro iogue, retirando os pensamentos à vontade e os sentimentos da identificação falsa com os desejos corporais, unindo a mente às forças superconscientes nos santuários da coluna vertebral, vive assim no mundo como Deus planejou; ele não é impelido por impulsos do passado nem por motivações recentes da incensatez humana. Tendo recebido a realização de seu Desejo Supremo, ele está seguro no abrigo final do Espírito inexaurívelmente bem-aventurado.

(Extraído do capítulo 26 do livro “Autobiografia de um Iogue”, de Paramahansa Yogananda)

“A Kriya Yoga é o método mais elevado para entrar em contato com Deus. Em minha própria busca, viajei por toda a Índia e escutei a sabedoria dos lábios de muitos de seus maiores mestres. Assim, posso garantir que os ensinamentos da Self-Realization incorporam as mais elevadas verdades e técnicas científicas dadas à humanidade por Deus e pelos Grandes Seres.

Os efeitos posteriores da Kriya trazem suprema paz e bem-aventurança. A alegria que a acompanha é maior do que a soma de todas as alegrias de todas as sensações físicas agradáveis. “Sem sentir-se atraído para o mundo sensório, o iogue experimenta a alegria sempre nova, inerente ao Ser. Absorto na união divina da alma com o Espírito, ele alcança a bem-aventurança indestrutível.” (Bhagavad Gita V:21) Desta alegria experimentada na meditação, recebo o descanso de mil sonos. O sono torna-se virtualmente desnecessário para o Kriya Yogi avançado.

Quando, pela Kriya Yoga, o devoto entra em samadhi, em que seus olhos, respiração e coração se aquietam, outro mundo se manifesta. Respiração, som e movimento dos olhos pertencem a este mundo. Mas o iogue que controla a respiração pode entrar nos mundos celestiais, astral e causal, e comungar com os santos divinos, ou entrar em consciência cósmica e comungar com Deus. O iogue não se interessa por nada mais.

Quando der menos importância a outras coisas, lembrando-se do que eu disse, chegará a Deus infalivelmente.”

(Paramahansa Yogananda, no livro “A Eterna Busca do Homem”)